quinta-feira, 4 de junho de 2015

Fire (7)

A madrugada corria e o frio os abraçava, os três já se preparavam pra dormir, Robert ja dormia e ainda tiritava de frio, mesmo coberto e com Lile o abraçando.
- Não é melhor o levarmos a um hospital? Perguntou Louis.
- Ele vai ficar bem... Agora me conta.
- Contar o que?
- Não se faça de burro.
- Não sei do que...
- É aquela loira azeda não é?  Eu juro que vou estrangular ela, quem ela pensa que é pra se meter com meu irmão? Louis, eu juro pela minha mãe que se ela o fizer chorar vou arrancar aqueles peitos murchos dela na base da faca!
Louis a olhava estarrecido, podia jurar que seus olhos estavam refletindo a cor de seus cabelos.
- Calma Lile...
- Calma? Meu irmão é a melhor pessoa desse mundo, ela não tem direito de fazer isso com ele. Louis colocou as duas mãos no rosto de Lile, ela fechou os olhos e suspirou devagar. Louis a beijou.
- Ele precisa do seu apoio agora, acho que ele é adulto o suficiente pra resolver isso sozinho. Lile o olhou com cara feia, se soltou de Louis e deu as costas.
- Você não o conhece.
O silêncio ficou ali por alguns minutos, Lile, que já abraçava Robert, olhou para Louis.
- Vai ficar dormindo aí sentado?
- Não.
- Então deite conosco. Pode abraçar Robert e o deixar no meio, assim ele me abraça. Louis pensou um pouco.
- Isso parece estranho, não sei se ele gostaria.
- Somos amigos não somos?
- Somos.
- É estranho pra você abraçar um amigo?
- Não.
- Pode abraçar o Rob?
Louis fez que sim. Deitou do lado de Robert e o abraçou. Após algum tempo sentiu que Robert parou de tremer. Fechou os olhos.

Acordou com Lile e Robert arrumando a mochila. Tomou um gole de café que estava sendo esquentado na última fogueira e arrumou suas coisas.
- Como se sente Robert? Louis perguntou.
- Bem, só com dor de cabeça. Incomodei muito?
- Não, gostei muito de vir com vocês.
- Quer tomar banho lá em casa? É mais perto do que sua casa afinal, e você pode tirar um cochilo. Lile não aparentava estar brava. Louis aceitou.

No caminho de volta, apesar de dizer que não lembrava muita coisa, Robert parecia cabisbaixo, parecia estar em guerra consigo mesmo. Louis e Lile conversavam sobre astrologia. O sol já aquecia os cantos umedecidos das esquinas e o topo dos prédios, estavam de volta na selva de pedra. Chegaram em casa, jogaram as mochilas pesadas no chão e sentaram no sofá, exceto Robert, que foi direto ao banheiro.
- Preciso de um banho.
- Logo mais também vou. Disse Lile.
Louis esperou Robert entrar no banheiro e comentou:
- Vocês tomam banho juntos?
- Somos irmãos, não tenho vergonha. Se quiser tomar banho conosco...
Louis ficou em silêncio, não quis acreditar muito na oferta que acabara de ouvir.
- Você diz... Com vocês dois ao mesmo tempo?
- Sim.
- Desculpe, sou um pouco tímido.
Lile riu.
- Vou deixar a porta aberta. E foi. Podia ouvir o barulho dela entrando na água. Estava tentado, não podia negar, ficou ouvindo os dois conversarem perto da porta, até que entrou no banheiro. Os dois permaneceram olhando Louis, cada um em uma extremidade da banheira.
- A água está ótima. Robert convidou.
- Tudo bem, só me senti um pouco solitário na sala.
- Não está mais, aqui vai se sentir menos ainda, Louis. Lile tinha um olhar diferente, diferente do que já tinha percebido nela, Robert parecia o mesmo de sempre. Louis pensou com os próprios botões por algum tempo e decidiu entrar. Ficou de cueca, notou que ambos estavam nus, tentou não pensar no assunto. Ficou entre eles, pela lateral. Lile o puxou pra perto dela e o abraçou por trás, Louis sentia os seios de Lile em suas costas, continuou não pensando nisso.
- Não é tão ruim, é? Lile perguntou.
- Não... É... Interessante.
Silencio. Lile e Robert gargalharam.
- Interessante... Que tipo de resposta é essa? Lile continuava a rir.
- Deixe ele Lile. Robert acendeu um cigarro.
Lile começou a esfregar as costas de Louis, ele ainda tentava não pensar no assunto. Percebeu que Lile se apoiou de joelhos, começou a beijar seu pescoço enquanto lavava seus ombros. Louis já não conseguia mais não pensar no assunto.
- Lile...
- O que foi? Perguntou ela enquanto beijava seu pescoço.
- Eu me sinto... Eu estou...
-  Excitado? Perguntou Robert.
Louis parecia estarrecido, não respondeu.
- É completamente normal, não deveria se envergonhar. Robert continuou fumando seu cigarro.
Louis também sentiu que Lile começava a empurra-lo para o meio com as duas mãos em suas costas, bem devagar. Louis sentia uma mistura de medo e tesão. Quando seu joelho encostou na perna de Robert, percebeu que estava perto demais dele. Tentou se segurar com as mãos no fundo da banheira, mas escorregava, quando o contato visual com Robert já o dava arrepios e sua pele já encostava com a dele em varias ocasiões, Lile abraçou Louis.
- Amo vocês, sabiam?
- Também te amo, irmã. Robert estendeu a mão até Lile, deixando seu braço solto nos ombros de Louis. Louis estava sem fôlego. Levantou da banheira sem falar nada, se enrolou em uma toalha e saiu.

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