sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Fire (13)

 Após uma semana da morte de Elisabeth, Louis já não se sentia triste por ela, tentava associar seu nome com lembranças bonitas, assim poupava-se também. A companhia de Lile e Robert confortava qualquer possível surto de tristeza que viesse a acontecer.

 Decidiram que era hora de outro acampamento, precisavam recarregar as energias, a semana de provas finais se aproximava como um tiro a queima roupa, um acampamento, risadas e boas histórias fariam os três ficarem bem, ou melhor, os quatro.
 - O que?! Marie vai junto? Você tá ficando maluco? - Lile esbravejava.
 - Acho que é um bom momento pra ela se enturmar, ela é uma boa garota, só precisa conhecer outro mundo.
 - Robert! Eu sou uma boa garota, que vai se tornar má se ela for.
 - Não sei se é uma boa ideia, Rob. - Louis disse baixinho.
 - Gostaria de poder contar com o apoio de vocês, a gente terminou há dois dias.
 Lile e Louis ficaram em silêncio por alguns segundos, até que Lile, como de costume, explode primeiro.
 - Desde quando você começa a esconder coisas de mim?!
 - Por que não nos contou? Como se sente? - Louis perguntou.
 - Gente, tá tudo bem, só não queria estragar o clima, Louis estava triste, estávamos fazendo o possível para ajudá-lo, e apesar de eu gostar muito dela, é tudo muito fútil.
 - Não é fútil, porra! Quem terminou com quem? - Lile estava nervosa, quase querendo encontrar Marie no acampamento agora.
 - Entramos em comum acordo...
 - Robert?! - Lile sabia que algo não estava completamente esclarecido.
 - Tudo bem... foi ela, mas o pai dela a obrigou.
 Silêncio de novo.
 - Agora somos amigos, ela está bem triste com tudo isso, eu também, por isso quero levá-la, quem sabe assim ela tenha um início de clareamento mental, sei lá.
 - E qual o propósito? Voltar pra ela? - Lile perguntou.
 - Salvá-la.

 No dia seguinte, arrumavam as coisas para partir logo pela manhã, o tal lugar não era o mesmo do ultimo acampamento, era numa cidade próxima, precisariam pegar um ônibus. No ponto de ônibus, avistaram Marie se aproximando, Lile respirou fundo, Louis a cumprimentou de longe, sorrindo, Robert deu um beijo em seu rosto.
 Não trocavam muitas palavras durante o caminho, Louis ainda tentava não deixar a situação ainda mais estranha e conversava com Marie. Robert olhava para Lile como uma cara clamante de cooperação.
 Chegando no acampamento, Lile foi direto ao lago, tirou suas roupas e foi nadar, Louis ficou ajudando Robert a armar a barraca, Marie se sentou ao lado deles.
 - Sua irmã nunca vai gostar de mim não é mesmo?
 - Dê um tempo a ela.
 - Sinto muito pelo que aconteceu com a gente Robert...
 - Tudo bem, estamos aqui para nos divertirmos. O lago parece bem convidativo.
 E era, o lugar era uma mata fechada, a natureza era bem nítida, cores fortes, o lago deveria ter quase 500 metros de comprimento, do outro lado a floresta de pinheiros era densa, o sol aquecia as águas do lago. Louis observava Lile nadando, parecia Ariel com seus cabelos vermelhos. Robert finalizava a barraca enquanto conversava com Marie, ela parecia mais a vontade.
 Lile saiu do lago, se enrolou numa toalha e beijou Louis, que estava sentado na beira do lago, depois sentou-se do lado de Marie e começou a comer um sanduíche. Se entreolharam mas nada disseram.
 Robert se aproximou de Louis, que continuava sentado, apreciando a paisagem, tirou a blusa e pegou na mão de Louis.
 - Vamos nadar? - Louis puxou a mão novamente.
 - Melhor não.
 - Por que não? Veio até aqui pra ficar sentado?
 Louis ficou em silêncio.
 - Louis? O que foi?
 - Eu não sei nadar, não gosto de lugares onde eu não possa pisar, e esse lago parece bem fundo.
 - Vem comigo, não vou deixar você se afogar.
 - Não Robert.
 Robert pegou sua camiseta do chão e vendou Louis.
 - O que está fazendo?
 - Levante Louis, vamos andando devagar até lá. Estou com você.
 Louis sentiu a água um tanto gelada no pé e hesitou, abraçou Robert.
 - Não é uma boa ideia.
 Robert continuou caminhando com Louis, não soltou sua mão, o pânico de Louis aumentava a medida que sentia a água chegar na cintura, até o peito, quando queria voltar, Robert se impulsionou para o meio do lago levando Louis consigo, Louis se agarrou em Robert e manteve seu queixo apoiado nos ombros dele.
 - Robert! Vamos voltar...
 - Não precisa ter medo, balance as pernas, os braços, não vou deixar nada acontecer com você.
 Robert retirou as vendas de Louis, ele se viu exatamente no meio do lago, uma sensação de barreira quebrada envolveu Louis, ainda tinha medo, mas Robert estava ali e sentia seguro. Robert mergulhou, ainda segurando Louis, o abraçou por baixo d'água, Louis ria, Robert voltou a superfície, tirou o cabelo da cara de Louis e sorriu.
 - Não foi tão mal, não é? - Perguntou Robert.
 - Não... obrigado.
 Robert aproximou seu rosto no de Louis e o beijou, Louis apoiava os braços nos ombros de Robert enquanto tentava não escorregar.
 - Vocês nunca vão me deixar, não é? - Louis interrompeu o beijo e o abraçou.
 - Não, nunca. Não vou deixar nada acontecer com você e com Lile.

 Do outro lado do lago, Marie e Lile estavam sentadas, observando os dois.
 - Eles se beijaram! - Protestou Marie.
 - Sim, fazem as coisas divertidas sem mim.
 - O que? Enquanto ele ficava comigo ele beijava esse menino por aí?
 - "Esse menino" é a melhor pessoa do mundo, quem está beijando ele é a outra melhor pessoa do mundo, na qual você dispensou, então não chora.
 - Você não entende...
 - E nem quero, se você não é capaz de se impor por algo que você ama, é porque não é bom o suficiente pra você.
 - O que vocês são afinal? Um trio amoroso? Você e seu irmão...
 - Calaboca Marie, não to com paciência pra esse seu espanto, não haja como se fosse a pior coisa do mundo, e não, eu e Robert nunca tivemos nada, somos apenas bem próximos.
 - Então é disso que ele gosta...
 Lile olhou para Marie, ela olhava sem parar para os dois. - Não seja ridícula. - Lile se levantou e entrou na barraca.

 A noite se aproximou, o quarteto pretendia passar a noite ali, Robert preparava algo para todos comerem, havia levado um pequeno grill bem prático. Robert via de longe Marie e Lile conversando, a conversa na maioria das vezes parecia séria e uma delas sempre parecia discordar, mas pelo menos estavam conversando, Louis estava escrevendo algo, viu as duas conversando na frente da barraca e foi ao encontro delas. Lile sorriu ao vê-lo, Louis a abraçou por trás, os dois se beijaram e ela recostou a cabeça nas pernas de Louis.
 - Do que falavam? - Perguntou ele.
 - De como essa menina é idiota. - Lile disse sorrindo.
 - Não fale assim Lile, não ligue, Marie. - Lile deu um tapa em Louis.
 - Além de só ficar com o Rob de lá pra cá está defendendo ela agora? - Louis riu.
 - Não fique com ciumes, amo vocês dois igualmente. - Louis se abaixou e a beijou novamente, dessa vez um beijo mais demorado, Marie parecia desconfortável.
 - Ok, todo mundo beija todo mundo aqui.
 - Quer participar? - Disse Lile rindo.
 - Não, obrigada.
 Robert bateu uma colher na panela e chamou todo mundo.
 - Repas prêt!
 Enquanto comiam, Robert olhava para Marie, ela olhava de volta por alguns segundos e baixava o olhar. Ele foi sentar-se perto dela.
 - Como se sente? - Disse ele.
 - Triste.
 - Não gosto de te ver assim, estou tentando te integrar ao grupo mas você não me dá uma chance.
 - Me integrar ao grupo significa me obrigar a ver você beijando... um garoto?
 - Não é grande coisa, Marie, não é o fim do mundo, ele não é só um garoto pra mim, ele é nosso melhor amigo, quando eu te beijo é diferente do beijo de Louis.
 - Não me venha com essa, talvez eu não seja tão moderna pra aceitar esse tipo de coisa.
 - Está com ciumes?
 - É claro Robert, não é porque terminamos a uns dias atrás que vou ficar bem em te ver beijando outra pessoa.
 Silêncio.
 - Eu amo você Marie, fiz o possível pra ficar com você. - Ela secou um olho que teimava em ficar úmido.
 - Me desculpe. Todas as coisas que eu te disse foram em voz do meu pai, você não é inútil, você não é um talento desperdiçado, você não é um...
 - Perdedor. - Completou Robert.
 Ela suspirou fundo, o abraçou. - Não, você não é. Mas entenda que não posso discordar do meu pai assim, ele paga tudo pra mim, as vezes eu queria muito ter a vida de vocês, são tão independentes, cuidam de si próprios... e eu fico na barra da calça do meu pai.
 - Não quero te deixar desconfortável, Marie, tudo bem sermos só amigos, amigos ás escondidas ainda, mas não quero que se entregue.
Se preparavam pra dormir, Lile já tinha feito o roteiro de posições.
 - Marie, da esquerda pra direita, você dorme primeiro, pode abraçar o Robert, que dorme do seu lado, Louis fica no meio de nós dois, e eu na extremidade direita, podendo usufruir do Louis... estamos de acordo? - Sim - Todos (menos Marie) responderam.
 Como de costume, os três se abraçaram, Marie deitou de barriga pra cima e olhava o teto da barraca, Robert olhou para o lado de Marie, pegou seu braço e puxou para sua cintura. - Não faça cerimônias, vai esfriar. - Robert disse, Marie sorriu e beijou seu rosto.

 De manhã cedo arrumavam as coisas pra sair da mata, Robert mexia em sua mochila, de repente abriu um sorriso de orelha á orelha.
 - Pessoal, encontrei um beck.
 Louis parou o que estava fazendo e foi correndo em direção ao Robert, Lile fez o mesmo.
 - Era o que faltava! - Lile riu.
 Acenderam o beck sentaram perto do lago, Louis e Robert atiravam pedras pra ver qual quicava mais. Lile passou o beck para Marie. - Vai querer? - Ela relutou um pouco. - Acho que sim, o que vai acontecer comigo?
 - O idiota do Robert nunca te levou pra fumar um? - Lile ria.
 - Ele já me chamou mas eu nunca quis.
 - Então fume, você não vai ver duendes nem nada, só vai ficar relaxada, com vontade de rir.
 Ela fumou, minutos depois, ela e Lile já compartilhavam opiniões de quais garotas eram as mais falsas e metidas, Robert as olhou e riu. Minutos depois, os quatro subiam pela mata até a estrada, pegariam um ônibus para a cidade novamente. Quando passaram por um posto de gasolina, um grupo de velhos começou a caçoar deles.
 - A noite no meio do mato foi boa? - Diziam rindo.
 Lile olhou pra trás, pegou na bunda da Marie e apertou. - Foi ótima.
 Marie deu um tapa na mão de Lile, todos riam, até os velhos.

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