terça-feira, 19 de maio de 2015

Fire (1)

Louis queria se matar, não tinha motivos aparentes, gostava do seu pai, sentia falta de sua mãe e de Elisabeth, não tinha muitos amigos, mas ele lidava bem com tudo, só queria morrer por estar saturado, cansado da sua falta de inspiração e concepção sobre o mundo ao seu redor... Não valia a pena continuar tentando.

No dia 21 de fevereiro, dia que planejou seu suicídio, conheceu Lile, uma garota romena de 16 anos, que começou a estudar em sua turma via intercâmbio, tinha cabelos vermelhos em chamas. Notou que zombavam dela, imaginou se falava sua língua... Era apenas mais uma.

Quando o toque do sinal para o intervalo soou, Louis se dirigiu até o bar que ficava na esquina do seu colégio e comprou whisky, junto com os remédios tarja preta que sua mãe tomava para depressão, era a combinação perfeita para o adeus. Quando virava a esquina para voltar para casa, viu Lile se aproximado, falava inglês com um sotaque bonito. Lile notou na mochila entreaberta a garrafa de whisky, fez uma proposta: Por um cigarro, não contaria para a direção que o viu comprando whisky na esquina da escola, Louis por sua vez achou tudo isso muito engraçado, lhe ofereceu um cigarro e ainda um gole do whisky. Conversaram um pouco, Louis disse que precisava voltar pra casa, iria ficar só até o intervalo.
- Te vejo amanhã. Disse ela.

Chegou em casa, se trancou no quarto, respirou fundo e sorriu. Por breves momentos sentiu culpa, pena também, principalmente do seu pai, sabia que não era sua culpa. Engoliu 30 comprimidos e ingeriu metade da garrafa de whisky, esperou. Esperou com angústia, e raiva, a poesia não o salvou, tampouco a arte, agora morreria ali, no próprio vômito. Sentiu enjôo, sentiu que seu juízo lhe falhava, sentiu seu estômago revirar, sentiu o primeiro jato de líquidos intestinais subirem pela sua garganta, sua visão começou a falhar, caiu. Ouviu batidas de leve em sua porta, era seu pai gritando seu nome, depois disso, os únicos gritos que ouvia, eram os internos, os demônios de sua alma saindo pela boca e pelas narinas, colapso.

Louis acordou 3 dias depois em uma cama de hospital, já era magro, depois desse episódio, pareceu ter perdido mais 20 quilos. Se sentiu inútil, triste. O que faria agora? Tentaria novamente? Pediria perdão ao seu pai? Fugiria do manicômio em que seu pai lhe colocaria? Não havia ninguém no quarto, apenas um buquê de rosas vermelhas enfeitadas com um laço e uma carta anexada, não tinha forças para alcança-lo. Seu pai e um médico entraram no quarto, o olhar de seu pai parecia opaco e melancólico, mal conseguia olhar para seu filho. O médico lhe fez algumas perguntas da qual não se lembra, não respondeu e apontou com fragilidade para o buquê de rosas que haviam deixado. Seu pai lhe entregou.
- Foi uma garota ruiva, seus amigos na escola ficaram preocupados... Eu também. Louis fechou os olhos, se limitou a fingir sonolência. O médico começou a examina-lo. Saiu de um coma, entraria em outro, de alma.

Depois de algumas visitas ao psicólogo e alguns remédios da qual já tomava conhecimento, Louis se viu obrigado a voltar para escola, se viu obrigado a entregar a chave do quarto, se viu obrigado a ser trazido de carro todos os dias pelo seu pai, apesar do trajeto ser curto. Sentia uma mistura de culpa, por parte do pai, frustração por parte própria, intriga por parte de Lile. Assim que pôs os pés na sala de aula, foi metralhado de olhares, alguns do tipo:
- Olha aí o doente mental.
- Coitado, aposto que o pai o abusava.
- Falta do que fazer.
Agora o que mais queria era matar a todos, mas ainda lhe restava um pingo de juízo. Viu Lile sentada do outro lado da sala, ela sorriu, Louis não.

Nenhum comentário:

Postar um comentário