Como quem acorda de um sonho muito bom, Louis se virou bem devagar, tateando o outro lado da cama, encostou em cabelos, eram cabelos vermelhos, sorriu. Se levantou e foi preparar um café fresco, se vestiu, imaginando que Robert chegaria em breve.
Lile acordou, sorriu para Louis e foi ao seu encontro, trocaram alguns beijos e Lile foi tomar uma ducha. Louis foi até o banheiro e a via relaxar na banheira, pensou um pouco e falou:
- Acho que vou indo pra casa.
- Por que? Não quer esperar o Robert?
- Não é isso, é que fiquei de ajudar meu pai com algumas coisas.
Lile riu.
- Tá bom, te vejo amanhã então.
Louis se aproximou da banheira e lhe deu um beijo de despedida.
Foi para casa, pensava no que tinha acontecido, estava até um pouco feliz, tinha apenas receio de que isso se tornasse algo sério demais, ou que Robert não gostasse daquilo, afinal era irmã dele.
Enquanto tentava desenhar algo novo em vão, ouviu a porta bater, seu pai, já em casa, gritou da porta.
- Louis! Robert está aqui.
- Peça pra ele subir, pai!
Robert veio, abraçou Louis, deixou sua mochila na cama e puseram-se a conversar.
- De onde está vindo? - Perguntou Louis.
- Da biblioteca, na verdade, acabei de ver a Marie.
- Está tudo bem entre vocês?
- Acho que sim.
- Acha?
Robert sorriu encabulado.
- As vezes eu tenho vontade de mata-la... As vezes eu acho que nunca vai dar certo, mas o que eu sinto por ela é bem forte.
- Deve ser bem confusa essa dualidade.
- É bastante.
Louis levantou-se da cama, colocou um cd do Yeah Yeah Yeahs pra tocar e ficou olhando Robert encostado na parede.
- Não gosto quando ela te diminui, ou quando ela tira sua esperança,
Robert olhou para Louis com uma expressão um pouco vazia, de aceitação.
- É o jeito dela, eu já disse que não vou mudar, não gosto de ficar tentando fazê-la mudar, estaria sendo hipócrita.
- Mas você aceita ela, e ela não faz isso.
Robert começou a bater o pé, acompanhando a música, fechou os olhos e deixou a musica guiar seu corpo, tocava bateria nas coxas, levantou-se, puxou Louis pra dançar, riam.
- Esse som é muito bom - Disse Robert.
- É sim. Me ajuda a animar.
Robert subitamente se lembrou que tinha algo para entregar a Louis.
- Eu trouxe sua blusa.
- Que blusa?
- Aquela que você me emprestou no café bar, da primeira vez que nos vimos.
- Nossa, não lembrava dela.
- Desculpe, acabei jogando no meu armário e lá ficou todo esse tempo.
- Agora lembrei o quão engraçado você fica vestindo ela. Ela já é meio pequena pra mim, imagina pra você.
Robert foi até sua mochila, pegou a blusa e tentou coloca-la.
- Eu lavei ela e ela encolheu um pouco mais, desculpe. - Robert tentava enfiar a cabeça no espaço diminuto da blusa enquanto dançava, Louis pôs-se a rir, foi ajudá-lo a colocar a blusa. Tentava empurrar a blusa pra baixo, sem se importar de amassar a cara de Robert. Não paravam de rir, Robert tropeçou e caiu sentado na cama, Louis ficou em sua frente, desistiu de puxar a blusa, mas não tirou as mãos do rosto de Robert por fora da blusa, guiado por uma vontade que não soube explicar, tateava o rosto de Robert, ele ria.
- O que está fazendo? Medindo o tamanho do meu nariz?
- Sim, - Disse Louis rindo.
Louis pôde sentir os lábios de Robert por fora da blusa, se atreveu a toca-los, sem pensar muito, se atreveu a beija-los por cima da blusa. Robert a princípio não teve reação, depois de alguns segundos, apenas se afastou, tirou a blusa da cara e olhou para Louis sorrindo,
- Me... me desculpe... eu... droga, foi mal. - Louis começou a se arrepender.
Robert continuou a acompanhar o ritmo da música que tocava, jogou a blusa no chão e fitou Louis.
- Não estou mais com a blusa na cara.
Louis estava mais vermelho que o cabelo do próprio Robert. Deu um passo para trás involuntariamente, pensou, deu dois passos para frente e o beijou. Robert correspondeu. Robert ficou sentado na cama enquanto Louis se mantinha em pé na sua frente, como a diferença de altura era um pouco notável, foi uma posição confortável, o beijo se intensificava a cada suspiro, Robert se levantou enquanto envolvia a cintura de Louis, ele por sua vez, deixava ser guiado, até o momento em que abriu os olhos o interrompeu o beijo. Robert o olhou confuso.
- Não gostou?
- Sim mas... e a Marie?
- Não acho que esteja fazendo algo de errado, beijar um amigo. - Louis ainda estava um pouco ofegante.
- Eu transei com a Lile hoje.
Robert arregalou os olhos e mostrou surpresa.
- Sério? Lile é uma menina muito meiga, sabia que vocês iam se dar bem.
- Espera... não está bravo? - Perguntou confuso.
- Não, até prefiro que seja alguém que eu confio. - Robert sorriu e beijou Louis mais uma vez. Louis correspondeu, se sentiu confuso mais uma vez e parou.
- Espera.
- O que foi?
- Tá tudo muito confuso.
- Você quer a Lile?
- Sim.
- Você se arrependeu de me beijar?
- Não,
- Então me beija. - Robert sentou na cama novamente e manteve o olhar fixo em Louis. Louis dessa vez o abraçou, abraçou forte.
- Vocês me deixam maluco, sinceramente. - Robert riu, puxou Louis e os dois se deitaram na cama, Louis repousou o rosto no peito de Robert.
- Gostamos de você, Louis.
- Eu amo vocês. - Louis se levantou e deu um selinho em Robert.
- Vamos comer algo? - Robert aceitou, foram até a cozinha, prepararam uma janta, até o pai de Louis comeu, depois disso, Robert se despediu com um abraço longo em Louis, seu pai espiava pela janela.
No dia seguinte, no colégio, Louis estava um pouco receoso se Robert havia contado alguma coisa para Lile, Lile o olhou normalmente quando entrou na sala, foi sentar-se ao lado de sua cadeira. Ela passou a mão no rosto de Louis, passavam-se mil coisas em sua cabeça agora.
- Tá tudo bem? - Perguntou Louis.
- Sim, claro, por que não estaria?
- Não sei...
- Quer me contar alguma coisa?
Louis ficou pensativo, suspirou.
- Eu... eu... beijei... beijei o Robert. Fui eu, não foi ele. Ele só correspondeu, me desculpe.
Lile ficou sem expressão por alguns segundos, segundos que mataram Louis pouco a pouco, depois. pôs-se a rir.
- Do que está rindo Lile?
- Te acho uma graça quando fica com vergonha.
- Não está brava?
- Não.
- Nem com ciúmes?
- Talvez.
Louis ia dizer mais alguma coisa, mas foi interrompido pela professora de biologia.
- Alunos, gostaria de apresentar pra vocês, uma nova aluna, quer dizer, nem tão nova. - Todos prestaram atenção, alguns como abutres mirando uma nova presa, outros como atiradores, mirando uma nova vítima.
Elisabeth entrou.
Louis arregalou os olhos, seu coração foi até a garganta, Lile percebeu imediatamente.
- Seja bem-vinda novamente, Elisabeth - Disse a professora.
Elisabeth encontrou Louis na sala, engoliu seco e foi sentar-se do outro lado. Louis voltou ao tempo, não gostou nem um pouco desse retorno. Uma mistura de nostalgia triste abraçou Louis, não sabia o que sentir ao vê-la, pessoas que significam o mundo pra você, se tornam meras vielas sujas do nada, aquela calçada esburacada que você evita. O que deveria fazer? Dar-lhe um buquê de flores pela volta? Ou devolver-lhe as flechas que tirou das costas?
Lile a olhava com cara de poucos amigos. Louis fechou os olhos evitou contato visual, Elisabeth parecia vazia.
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